Materia sobre o Show de Roberta Sá em Portugal  Cantora brasileira apresentou o DVD «Pra se ter Alegria», o seu primeiro registo ao vivo. Houve ainda tempo para dois duetos intimistas com António Zambujo.    Os ritmos da MPB aqueceram a primeira noite de Julho, na Aula Magna. Depois do concerto de terça-feira na Casa da Música, Roberta Sá juntou nesta quinta-feira os sucessos de uma carreira com pouco mais de cinco anos na sala lisboeta. Foi num cenário colorido e leve, com umas luzes quentes a iluminar o palco que Roberta se apresentou ao público. Com um longo vestido vermelho, a cantora começou a entoar o tema «O Pedido», uma mistura de jongo (dança associada à cultura africana do Brasil), reggae e um subtil som eléctrico. Esta música provou, logo no começo, que Roberta não é só uma intérprete de samba e de bossa nova: a cantora nordestina representa várias faces da MPB, como também o mostra o tema «Fogo e Gasolina», que une o frevo (ritmo ligado à dança de capoeira) a uns toques de electrónica. Mas é claro que o samba marcou presença no concerto. Roberta deu as boas-vindas a este género com uma versão do tema «Alô, Fevereiro», do consagrado compositor Sidney Miller. Esta é aliás uma das características da obra da cantora: dar uma roupagem moderna a clássicos da música brasileira. Para isso, Roberta não tem medo de arriscar e junta instrumentos tradicionais do samba, como o cavaquinho ou a cuíca, a uma guitarra eléctrica ou a programações electrónicas. «Interessa», de Carvalhinho, «A Vizinha do Lado», de Dorival Caymmi ou «Eu Sambo Mesmo», gravado por João Gilberto, são outros temas onde este risco é assumido, transformando clássicos da MPB em músicas inéditas: além de serem desconhecidas do grande público, Roberta Sá regrava estas canções com uma nova sonoridade. O reportório de Roberta não se resume, contudo, apenas a versões contemporâneas de clássicos brasileiros. «Mais Alguém» ou «Samba de Amor e Ódio» são algumas das canções de novos autores interpretadas por Roberta Sá, revelando que, em termos de composição, o futuro da MPB está garantido. O tom doce da voz de Roberta atingiu o seu estado pleno em temas mais românticos, como «Belo Estranho Dia de Amanhã» ou «Lavoura» (o último com um excelente acompanhamento à guitarra de Rodrigo Campello). É igualmente nesses momentos que a cumplicidade entre a intérprete e o público aumenta ainda mais, com a cantora a cruzar olhares com os espectadores e mostrando que, para além de um bom domínio técnico, é indispensável cantar com sentimento para prender a atenção dos ouvintes. Antes da primeira despedida de Roberta, o público, já conquistado pela simplicidade e sofisticação da cantora, aplaude, bate o pé e abana a anca ao som de sambas de roda, como «Pelas Tabelas», um clássico de Chico Buarque, ou «Girando na Renda». Seguiu-se, no encore, os duetos entre Roberta Sá e António Zambujo, que também inova num género musical: o fado. Exemplo disso é a música «Eu Já Não Sei», um dos melhores momentos do espectáculo. O que começa por ser um blues ganha contornos de fado nos primeiros acordes da guitarra portuguesa, unindo-se assim dois géneros que, à primeira vista, seriam inconciliáveis. Mas este não foi o último encontro imprevisto da noite: Zambujo e Roberta ainda entoaram o chorinho «Novo Amor», acompanhados apenas pela guitarra portuguesa. A Aula Magna transformou-se numa casa de samba quando Roberta Sá cantou «Samba do Balanço» ou «Sonhar não Custa Nada». A alegria de todo o público, que em pé não se cansava de dançar ao som de Roberta e da sua inseparável banda, prova que, tal como afirma o tema «Samba do Balanço», «o samba balança, mas não cai». Sempre com um largo sorriso, Roberta Sá mostrou neste espectáculo que está em plena fase de amadurecimento e, deste modo, consolida-se como uma das vozes femininas que, juntamente com, por exemplo, Maria Rita ou Vanessa da Mata, contribuem para que a MPB seja um género vivo, actual e interessante. fonte: http://www.musica.iol.pt/artigo.html?id=1174726&div_id=4060